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Menalton Braff_crédito Lu Gontijo

Conheça Menalton Braff, consultor do Clube Leitura

Em 1984, o Brasil conheceu a força narrativa de um homem chamado Salvador dos Passos, que, apenas naquele ano, publicaria dois livros, “Janela aberta” e “Na força de mulher”. A intensa produção, em um curto espaço de tempo, não deixava dúvidas de que boas histórias ainda viriam por aí. E elas chegaram, mas, desta vez, trouxeram uma outra surpresa: o autor, na verdade, não existia. Ou, ao menos, não naquele momento e com aquele ofício.

Salvador dos Passos foi um pequeno agricultor, com pouca alfabetização, que, em suas visitas à cidade, fazia questão de comprar livros em um pequeno armazém local. Depois, em casa, lia os volumes e, à luz de velas, escrevia suas poesias. Anos depois, as páginas amareladas pelo tempo chegaram às mãos do bisneto, o jovem Menalton Braff, que decidiu homenagear o antepassado ao iniciar sua trajetória literária, que hoje contabiliza 24 títulos e muitos prêmios.

Um dos consultores do Clube Leitura na categoria Adulta, Menalton lembra que a escolha do pseudônimo carregou outras motivações além da afetiva. “Quando adolescente, em uma fase de nacionalismo exacerbado, eu só lia autores brasileiros. Por conta disso, negligenciei por algum tempo o Viana Moog, gaúcho como eu, mas que, por conta do sobrenome, sempre pensei ser estrangeiro. Então, quando fui publicar, não queria um nome com gosto de chucrute. Queria um nome com gosto de feijoada”, brinca. A decisão, com tintas políticas, se fortaleceu com a perseguição do Terceiro Exército, em função do envolvimento do autor com a política estudantil.

Menalton abandonou a identidade alternativa em 1999, quando publicou o livro de contos “À sombra do cipreste”, com o qual venceu o Prêmio Jabuti na categoria Livro do Ano – Ficção, em 2000. De lá para cá, vieram diversos outros trabalhos, como “Que Enchente Me Carrega?” (2000) e “Na Teia do Sol” (2004), ambos com edições esgotadas. Este último, inclusive, reverbera emoções sofridas na época de luta, retratando fantasmas de uma época que, embora distante, está cada vez mais atual para o autor.

Talvez seja esta uma das razões da indicação que compõe o primeiro kit do Clube Leitura, que chegará para nossos assinantes nos próximos dias. O livro se passa da década de 1960, em Brasília, e retrata o terror daquele período conhecido como “anos de chumbo”. Escrita por um dos principais autores brasileiros vivos, na opinião do consultor, a obra tem relevo cultural, por trazer à tona uma parte de nossa história, e, como literatura, por apostar em uma linguagem sóbria, e muito bem elaborada.

Ao lado deste, Menalton elenca ainda os escritores que têm ou tiveram influência em sua formação literária. “Um autor que contribuiu muito para minha formação, inclusive moral, foi Érico Veríssimo. Como li muito cedo, muitas histórias dele se instalaram profundamente em minha visão de vida. Também Machado de Assis, por sua técnica, pelo humor. Clarice Lispector, sempre, e Graciliano Ramos. William Faulkner, como técnica narrativa, e James Joyce, principalmente nas 100 páginas finais do Ulisses”, cita.

Agora que você já conhece um pouco mais sobre o trabalho e as referências do nosso consultor, que tal fazer suas apostas para decifrar qual livro chegará em seu endereço nos próximos dias? Queremos ouvir você!

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