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Menalton Braff - Foto Lu Gontijo

Confira a entrevista exclusiva de Menalton Braff para o Clube Leitura!

Nosso consultor literário Menalton Braff deu uma entrevista exclusiva para o blog do Clube Leitura! Nesse bate-papo, o professor, contista e romancista gaúcho fala sobre clubes de leitura, os desafios da curadoria literária, sobre autores e livros que tem lido atualmente e a importância do exemplo familiar.

Confira!

Os clubes de leitura foram populares até os anos 80. Você tinha contanto com algum destes clubes? Se sim, como era?
Me lembro de dois clubes de leitura. O mais antigo entregava um livro por mês, em brochura, capa branca, editado pelo próprio clube. Pagávamos uma pequena mensalidade e os livros eram muito baratos. Tenho até hoje livros daquela época. Depois o Clube fechou.

O segundo editava livros de capa dura e os assinantes só pagavam os livros que recebessem, mas um divulgador era quem levava uma revista com o catálogo do Clube para que o sócio escolhesse. Não havia limite para a encomenda. Podia-se encomendar quantos quiséssemos. O divulgador, no próximo mês, em sua visita, entregava os livros encomendados e levava a nova encomenda.

Quais os desafios de atuar como curador de livros do Clube Leitura?
O principal desafio é indicar livros que sejam bem recebidos pelo público leitor. E isso, que é impossível em um universo em que os gostos diferem uns dos outros, deve ser o objetivo principal do curador. Adoto como primeiro critério a literariedade da obra indicada. E aqui, entram os clássicos (mas que não sejam aborrecidos). Autores consagrados pela crítica, livros premiados em concursos, livros nos quais o leitor embarca com uma estatura, mas que sairá no final de alguma forma modificado.

Não encaro leitura de literatura como entretenimento. Usando uma ideia de Theodor Adorno, filósofo alemão, quando ele diz: “A arte que não problematiza a realidade nem problematiza a si mesma, não merece esse nome”. Literatura é arte.

Indicadores mostram que a maioria dos brasileiros ainda chega ao ensino superior incapaz de uma leitura mais aprofundada. Isto influencia sua indicação de obras para o Clube Leitura?
No meu caso, procuro, na indicação, encontrar um ponto que seja livro de qualidade literária, mas que não seja de informação estética excessiva. Não indicaria Huysmans, por exemplo, Guimarães Rosa. Nem pensar em James Joyce. Só com relutância indicaria algum livro da Clarice Lispector, de Virginia Woolf que são autores com uma carga de rupturas que exigem bastante experiência de leitura de literatura.

Na sua opinião, qual é a importância do exemplo familiar para a formação de novos leitores?
Uma casa em que os pais não leem, só por milagre terá filhos leitores. O ser humano em sociedade aprende por imitação. Em tudo. Nós falamos imitando os falantes que nos cercam. Nós, em geral, imitamos nossos pais, que são os melhores e maiores seres do mundo.

Que dicas você poderia dar para pais e educadores cultivarem nos jovens leitores o prazer da leitura?
Pais e educadores que não adoram a leitura jamais conseguirão passar tal gosto aos filhos e educandos. E a única dica que me parece fundamental, é ler. Os filhos e educandos precisam ver que os pais e educadores sentem prazer com a leitura.

O que você tem lido atualmente?
Estou terminando de ler a trilogia USA, de John dos Passos, um escritor fabuloso, que já por volta de 1920 cometia inovações na arte de narrar, que ainda hoje se pode considerar um autor revolucionário. Simultaneamente, estou lendo “Bom dia, camaradas”, de Ondjaki.

Tem algum escritor ou escritora que tem chamado sua atenção recentemente?
O autor que mais me tem chamado atenção ultimamente é exatamente o John dos Passos, pelo que ele acrescenta no modo de narrar. Há anos que estava nos meus objetivos de leitura, mas não me encorajava a encarar as mil quase duas mil páginas da trilogia. Enfim, chegou a hora.

Você acha que o Clube Leitura poderá influenciar positivamente a criação de uma cultura literária entre as famílias?
Sem nenhuma dúvida. Experiência de meu tempo de magistério demonstrou que livro da biblioteca da escola retirado pra leitura em casa, a família toda lia. A leitura é uma espécie de ritual depois do qual os familiares geralmente trocam informações. Vi muito disso em minha carreira de professor. É claro que nem sempre isso acontece, e não tenho mais que conhecimento empírico do assunto, mas se pelo uns poucos casos funcionam assim, por certo haverá transmissão para as próximas gerações.

O que achou? Você tem alguma dúvida, curiosidade ou pergunta que gostaria de enviar para o Menalton? Compartilhe com a gente!

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